Rede de Observatórios de Segurança

Rede de Observatórios de Segurança

Rede de Observatórios da Segurança lança primeiro relatório no Ceará

FORTALEZA, 21/11 – Um debate na Assembleia Legislativa do Ceará marcou o lançamento do primeiro relatório da Rede de Observatórios da Segurança, que reúne dados sobre violência, segurança pública  e direitos humanos em cinco estados. O evento teve  a participação do deputado Renato Roseno (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia.

O relatório Retratos da Violência – Cinco meses de monitoramento, análises e descobertas traz dados e artigos inéditos produzidos pela iniciativa, que articula cinco organizações, em cinco estados – Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. “A Rede pretende mapear a violência cotidiana, que muitas vezes não chega à polícia e nem integra  estatísticas. Oficiais. Essas ocorrências tendem a ser minimizadas, mas contribuem para criar uma cultura de violência que permite banalizar as violências mais graves, como os homicídios”, disse a coordenadora geral, Silvia Ramos.

Projeto coordenado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), com apoio da Fundação Ford, a Rede de Observatórios registra diariamente fatos relacionados ao racismo; intolerância religiosa; homofobia; ataques de grupos criminais; linchamentos; chacinas; operações policiais e abusos de agentes; violências contra mulheres, crianças e adolescentes; e sistema penitenciário e socioeducativo.

Em cinco meses de monitoramento cotidiano, de junho a outubro, os pesquisadores da Rede registraram 4.764 fatos nos cinco estados. 

Entre os dados obtidos, destacam-se:

  • O alto número de feminicídios nos registros de violências contra mulheres.  No Brasil, 29% de todos os homicídios contra mulheres em 2018 foram classificados como feminicídios. Já entre os 518 crimes monitorados pela Rede em cinco estados,  39% se enquadravam na categoria. 
  • 61% de todos os fatos registrados pelo Observatório de junho a outubro referiam-se às forças policiais (ações, corrupção, abusos de agentes e vitimização de agentes). Desses, 92% se referiam a operações e patrulhamentos.
  • Em cinco meses a Rede registrou 1.384 operações e 1.274 patrulhamentos. Em 59% dos casos, a força envolvida era a Polícia Militar e em 33% a Polícia Civil. A Polícia Federal esteve envolvida em 5% e a Polícia Rodoviária Federal, em 6% dos eventos.  O Rio de Janeiro concentrou 1.427 ações, número muito superior ao de SP (674), BA (255), CE (237) e PE (65).
  •  Em 28% das ações policiais monitoradas houve mortos e feridos. O Rio de Janeiro se destaca pela letalidade das intervenções policiais: 49% das ações monitoradas teve vítimas. São Paulo registrou 11%; Bahia, 12%; Pernambuco, 5%; e Ceará, 3%.
  • Ao todo, foram contabilizados 63 agressões contra agentes de segurança. Desses, 58% foram agressões físicas e 36%, homicídios.
  • A Rede de Observatórios fez o primeiro monitoramento de prisões feitas com o uso de tecnologia de reconhecimento facial, em quatro estados brasileiros. De março a 31 de outubro, 151 pessoas foram presas nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraíba. A Bahia fez 51% dessas prisões.
  • Chamou a atenção o baixíssimo número de informações sobre violência racial, em um país onde os jovens negros são as principais vítimas de homicídios. Apenas 14 casos foram assinalados, mostrando que o silêncio sobre a violência racial ainda prevalece.

O relatório traz, ainda, um artigo do advogado e consultor Alexandre Ciconello Ganança, que parte do planejamento estratégico (PPA) enviado recentemente pelo governo do Rio de Janeiro à assembleia legislativa fluminense para mostrar que políticas de segurança baseadas no policiamento ostensivo não são sustentáveis financeiramente.

As organizações que integram a Rede são: Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC/UCAM), do Rio de Janeiro; Laboratório de Estudos da Violência (LEV/ UFC), do Ceará; Iniciativa Negra por Uma Nova Política de Drogas (INNPD); Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), de Pernambuco; e Núcleo de Estudos da Violência (NEV/USP), de São Paulo.

 Veja o relatório completo aqui.

Para o infográfico com os principais dados, clique aqui.

Download WordPress Themes Free
Download Premium WordPress Themes Free
Download Premium WordPress Themes Free
Download WordPress Themes Free
download udemy paid course for free
download huawei firmware
Free Download WordPress Themes
online free course

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *