Rede de Observatórios de Segurança

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Seis ativistas LGBTQI+ que transformam a sociedade

A luta por direitos, políticas públicas e autonomia LGBTQI+ são temas do Dia Mundial do Orgulho LGBTQIA+. Este é mais um dia 28 de julho em que lamentamos as vítimas da violência contra pessoas não heteros e não cis, mas que também falamos das ações de quem está na linha de frente tentando mudar a sociedade pelo fim lgbtofobia – que assim como o racismo também é estrutural.

A Rede de Observatórios perguntou para seis ativistas dos estados que monitorados de que forma o ativismos deles transforma a sociedade. Confira as diferentes formas de luta de quem ta no dia a dia tentando mudar a vida.

Keila SimpsonBA

Keila é ativista do Movimento LGBT desde 1990. Líder da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Foi vice-presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT). Foi presidenta do Conselho Nacional de Combate à Discriminação de LGBT em 2013, ano em que recebeu da então presidenta Dilma Rousseff o Prêmio Nacional de Direitos Humanos pelos relevantes serviços prestados à população LGBT do Brasil. Coordenou o Centro de Promoção e Defesa dos Direitos de LGBT (CPDD LGBT), espaço que recebe denúncias de violações de direitos da população LGBT da Bahia.

“Meu ativismo contribui com a sociedade ao me colocar na linha de frente da luta contra toda forma de violência, discriminação e violações de direitos humanos. Sendo uma travesti, com 56 anos e que passou pela ditadura, pela epidemia do HIV e pela expectativa da nossa população no país que mais assassina pessoas trans do mundo, pretendo ainda transmitir uma mensagem para a juventude trans de que a luta vale a pena e que todes podem se engajar em alguma causa a fim de dar a sua contribuição na luta por dias melhores”.

Yara CantaCE

Yara é cantora, atriz e ativista trans cearense, coordenadora Geral na Associação de Travestis e Mulheres Transexuais do Ceará – ATRAC e integra o FONATRANS – Forum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros.

“Meu ativismo transforma a sociedade porque ele não é MEU, ele é nosso. Ele é coletivo. É plural. Porque não faço nada só. Não luto pelo meu próprio umbigo, mas sim por toda uma população que se encontra desamparada de políticas públicas, que não são incluídas plenamente no mercado de trabalho formal, que muitas vezes não têm direito ao afeto até mesmo das suas próprias famílias. Eu luto para que possamos ocupar todos os locais, até mesmo na mídia. Para que as novas gerações cresçam se vendo representadas, sabendo que é possível construir um futuro onde possamos estar não apenas vivas mas vivendo com abundância e em plenitude”.

Rildo Veras – PE

Rildo Verás é sociólogo, professor e militante de movimentos sociais, especialista em Gênero e Sexualidade e presidente do Movimento LGBT Leões do Norte de Recife/PE. Trabalhou como assessor especial do Governo de Pernambuco para Diversidade Sexual.

“Meu ativismo contribui na transformação social através da formação política de lideranças e ativistas LGBT para atuação qualificada no controle social das políticas públicas. Também no enfrentamento às diversas LGBTfobias a partir das denúncias de violações de direitos, com destaque para os homicídios de LGBT, bem como cobranças aos poderes públicos para ações de enfrentamento aos preconceitos, discriminações e construção de climas favoráveis ao respeito às diferenças”.

Ana Claudino – RJ

Ana Claudino é pesquisadora em raça, gênero, sexualidade e comunicação. Publicitária, preta, sapatão, ciberativista, criadora do canal Sapatão Amiga, do podcast LesboSapiência e colunista da Mídia NINJA. 

“Eu acredito que o meu ativismo possa transformar a sociedade se é que já não transforma por meio da comunicação. Eu utilizo as minhas redes sociais, meu canal Sapatão Amiga, para contribuir para a autonomia de mulheres negras e pessoas LGBTQI+ no geral compartilhando as leituras que eu faço no mestrado, tentando sempre trazer alguém para falar sobre algum tema especifico, usando a comunicação como uma forma de empoderamento dessas pessoas de forma que possa ajudar na autonomia estética, financeira e intelectual das pessoas que estão consumindo meu conteúdo. Eu acredito na comunicação como a principal chave de mudança social”.

Luanda Pires -SP

Luanda é advogada, Presidenta da associação brasileira de mulheres LBTIs, secretaria da comissão da diversidade sexual e de gênero da OAB de São Paulo.

“O meu ativismo através do direito e das pessoas que estão ao meu lado, porque eu não trabalho sozinha, isso seria de fato impossível, tem como objetivo principal a transformação por meio da educação, por meio da propagação de conhecimento. Para que essas pessoas que têm os seus direitos cotidianamente ceifados tenham conhecimento deles para que possam, de alguma forma, se defender, buscar ajuda, buscar auxílio. O meu trabalho está ligado à divulgação de informação. Porque nós também, enquanto sociedade brasileira, precisamos entender que existe sim uma grande parcela da população que não tem acesso a esses direitos, que não tem acesso à educação, que não tem acesso ao mercado formal de trabalho, que não tem acesso a segurança, que não tem garantia do próprio direito à vida que é tão intrínseco a cada um de nós.

E reconhecendo o papel do movimento LGBTQIA + brasileiro que se organizou e bateu nas portas do judiciário em busca da ratificação dos nossos direitos. E eu digo ratificação pq nenhum direito que foi declarado para nossa população foi criado especificamente para nós. Eles estão garantidos desde 1988 com a constituição federal, só que em razão dessa estrutura cis-hetero-patriarcal racista e capacitista, alguns grupos não têm acesso a eles. E eu pauto o meu ativismo por meio do direito nisso. É por isso que eu trabalho. É isso que eu espero. Eu espero transformar, ainda que de forma pequena, se todo mundo fizer um pouquinho a gente transforma o mundo.

É pra isso que eu faço. Porque nós precisamos urgente de uma transformação social e a existência de uma legislação sem que haja uma conscientização da população a respeito dela de nada adianta. A ratificação desse direito, a discussão sobre eles pela sociedade, o tratamento de tudo isso de forma educativa, sem dúvida, eu acredito que vá fazer com que a gente consiga caminhar. E o meu ativismo, o meu trabalho, tem esse objetivo”.

Bruno Kawagoe  – SP

Bruno atua em projetos sociais, principalmente aqueles voltados à população LGBTIA+ desde 2015. É um dos fundadores do Tamanduás-Bandeira, o primeiro time de rugby LGBTIA+ do Brasil e também da Estandarte, iniciativa que promove a pluralidade e diversidade no mercado de comunicação e também foi, por 4 anos, um dos organizadores da GaymadaSP, coletivo que promove ocupações dos espaços públicos no formato de campeonatos de queimada para a população LGBTIA+ em São Paulo.

“Nenhum dos projetos que atuei ou atuo possuem uma grande operação e centenas de milhares de pessoas impactadas. E tá tudo bem. É extremamente clichê e demorei para chegar a essa mentalidade, porque a gente tende a se colocar sob muita pressão, mas eu realmente acredito que se uma pessoa sequer for beneficiada, já valeu a pena. Minha atuação dentro do ativismo está muito ligada ao esporte e o mercado de trabalho, que ao meu ver requer um abordagem mais íntima e pessoal. Um tiquinho de cada vez, é assim que eu imagino que meu trabalho transforma a sociedade”.

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