Rede de Observatórios de Segurança

Ter Conhecimento: oficinas do CESeC, TerPaz e Instituto Vale chegam à Belém

event 9 de novembro de 2021

O ativista Itamar Silva compartilhou suas experiências no ativismo comunitário com os territórios atendidos pelo programa Territórios pela Paz -TerPaz

Itamar Silva, nascido no Santa Marta-RJ e ativista de favela e do movimento negro há quatro décadas, abriu o ciclo de oficinas do projeto Ter Conhecimento, que é fruto da parceria do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania ( CESeC), da Secretaria Estratégica de Articulação da Cidadania ( SEAC)  e do Instituto Vale. Na última semana, o ativista carioca percorreu os territórios atendidos pelo TerPaz, que é uma articulação de políticas públicas de inclusão social, na periferia de Belém com a oficina  “Ativismo Comunitário no Passado, no Presente e no Futuro”. 

O objetivo do Ter Conhecimento é promover ciclos formativos, tendo como público-alvo lideranças comunitárias, profissionais de segurança pública e gestores do Ter Paz. Para isso, conta com oficinas que versam sobre temáticas como: ativismo comunitário, direitos humanos, segurança pública, planejamento estratégico. 

As ações de estreia aconteceram na Usina da Paz Icuí-Guajará, no território Cabanagem/Benguí e  Guamá, Jurunas e Terra Firme. O Ter Conhecimento reuniu mais de 50 pessoas entre líderes comunitários e ativistas locais na sua primeira edição. Em clima de intercâmbio de ideias, Itamar falou sobre um passado e um presente que se encontram e constroem novas possibilidades: “o futuro é amanhã, o futuro está aberto. Mas a gente precisa saber o que a gente não quer levar para o futuro e saber o que constrói pontes para esses novos tempos”.

Nos três dias de oficinas, temas como o uso das redes sociais pelos ativistas mais jovens, as barreiras tecnológicas enfrentadas pelos mais velhos e também o enfrentamento ao racismo estiveram presentes. “A questão racial no Brasil é uma questão estruturante fundamental. Nossa sociedade é marcada pela negação aos direitos da população negra. As periferias do Brasil estão enfrentando de maneira consistente esse debate. Nossas diferenças, sejam elas de raça, religião e orientação sexual, são elementos que precisam nos aproximar para a construção de uma sociedade que inclua a todos e a todas”, explicou. Ele ainda falou da experiência do ativismo comunitário durante a pandemia – quando a criação de redes garantiu a chegada de alimentos, itens de higiene e de proteção para quem precisava. Além disso, apontou a importância das parcerias para que essas ações possam acontecer.

“Itamar passou um pouco da experiência dele para que a gente também possa desenvolver aqui um trabalho de redes”, contou Ana, gestora do projeto Atalaia, em Ananindeua. Para Maria Izabel, liderança comunitária do Jurunas há 40 anos, as oficinas apresentaram novas perspectivas para o trabalho nos territórios. “Ele se identificou com o nosso trabalho e trouxe conhecimento para gente”, disse. Sentimento partilhado com Cilene Regina, que atua no território do Benguí: “essa oficina abriu minha visão para uma nova forma de lidar com associações e comunidades”. 

O projeto Ter Conhecimento terá mais nove edições até o fim de 2021. Nomes como Raull Santiago, Cecília Oliveira e Ibis Pereira visitam as periferias de Belém atendidas pelo TerPaz ainda esse ano. O objetivo do programa é fomentar a troca entre palestrantes e lideranças locais, assim como disseminar conhecimento e formar novas redes. 

 

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