Rede de Observatórios de Segurança

Morte de policiais na Bahia também é consequência da falida guerra às drogas

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event 14 de maio de 2022

Por Luciene Santana e Larissa Neves*

No último final de semana, em 24 horas, quatro agentes da Polícia Militar da Bahia foram baleados em Salvador. Três deles morreram. Os policiais são colocados na ponta da Segurança Pública para resolver questões que não deveriam ser tratadas com armamentos e tiros, visto que são questões estruturais, é preciso política pública de qualidade, como: saúde, educação e moradia. 

No sábado (07), o soldado Alexandre José Ferreira Menezes Silva, foi morto durante uma operação policial no bairro de Águas Claras. Ali perto, no domingo (08),  enquanto estavam voltando do enterro do colega, os soldados Victor Vieira Ferreira Cruz e Shanderson Lopes Ferreira foram mortos em Fazenda Grande I. Os dois eram lotados na 3º Companhia Independente da Polícia Militar, assim como o soldado Alexandre. Ainda no domingo (08) no bairro de Itapuã, outro policial foi baleado durante uma troca de tiros no bairro do Abaeté.

O governador do estado da Bahia, Rui Costa (PT) respondeu rapidamente às mortes dos policiais, liberando o uso de “força máxima” de segurança e citou o sistema judicial ao pedir que a legislação “não facilite a soltura” de marginais. Dessa forma, a polícia intensificou o policiamento na região, com a busca dos suspeitos de envolvimento no caso: três suspeitos de envolvimento nas mortes dos militares foram mortos em confronto com a polícia. Além disso, outros dois suspeitos foram baleados e um homem que aguardava atendimento em um hospital no bairro de Cajazeiras foi morto dentro da unidade por homens armados.

A população de Cajazeiras e bairros adjacentes têm sofrido por medo de represálias e ações de retaliação. Várias escolas da região estão fechadas, conforme denunciado pelos jornais locais e os moradores estão com medo de realizarem as suas atividades de trabalho pelos constantes toques de recolher que são anunciados, assim como as operações policiais. 

Segundo o monitoramento da Rede de Observatórios,  a Bahia é o estado do Nordeste com mais agentes de segurança vitimizados,  mais de 120 agentes de segurança baianos sofreram violência entre 2019 e 2021.  Além disso, o estado também possuí a polícia mais letal do Nordeste e a terceira mais letal do Brasil. Importante ressaltar que a Bahia é o estado que mais justifica suas operações policiais baseado na ideia de “guerra às drogas” – vitimando. Importante ressaltar que a Bahia é o estado que mais justifica suas operações policiais baseado na ideia de “guerra às drogas” – vitimando não só a população majoritariamente negra que vive em territórios periféricos, mas também os agentes de segurança que são a  ponta de lança de uma política falida.

Sendo assim, as mortes dos policiais militares expressam também o fracasso da atual política de Segurança Pública adotada no estado da Bahia. Nenhum dado monitorado até agora aponta para qualquer nível de eficiência dessa política, não apenas no estado da Bahia, mas  como em todas as partes do mundo, sendo inclusive alvo de debates sobre com intuito de realizar  reformulações e alterações. 

Vale refletir quais são as ações que Rui Costa tem feito para lidar com a violência policial no estado da Bahia. Visto que o uso de “força máxima” em  contenções de crises de segurança pública em Salvador, mas especificamente em territórios negros da cidade,  são recorrentes. As operações policiais não chegam a fundo no problema e a prioridade acaba não sendo a vida das pessoas. 

*Luciene e Larissa são pesquisadoras do Observatório da Bahia

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