Rede de Observatórios de Segurança

Nota: enquanto contamos corpos, Cláudio Castro cria falsa sensação de controle do estado ampliando operações policiais em ano eleitoral

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event 22 de julho de 2022

A Rede de Observatórios da Segurança acompanha com profunda consternação a escalada de terror promovida em comunidades pelo governo do estado do Rio de Janeiro. Há cerca de dez dias assistimos uma onda de ações violentas e uma contagem de corpos em Manguinhos, Prazeres, Macacos, Lapa e Alemão. Nesta quinta-feira, dia 21, ao menos 18 pessoas foram mortas em uma operação conjunta do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), que levou ao Morro do Alemão um contingente de guerra: 400 policiais, quatro aeronaves e dez veículos blindados.

Organizada a partir de informações de setores de inteligência do BOPE e da CORE, a operação tirou a vida de Letícia Marinho de Sales, de 50 anos, baleada enquanto estava parada em um sinal de trânsito, por uma policial militar. A trabalhadora era moradora do Recreio dos Bandeirantes e visitava o namorado na comunidade. Ela deixa três filhos e um neto. 

As ditas ações da política de segurança em ano eleitoral se apresentam de maneira estratégica, falseando a imagem de que o governador Cláudio Castro tem o controle absoluto do Estado nas mãos. No entanto, o que assistimos na verdade é o aumento significativo do número de mortos, em sua maioria jovens negros, nas comunidades no estado que mais produz mortes em operações policiais, segundo dados da Rede de Observatórios. 

Em 2020 foram 1.245 mortes em ações e intervenções das polícias; em 2021 outras 1.345 pessoas vitimadas, 86% das vítimas eram pessoas negras. E neste ano, a política do confronto segue produzindo chacinas, vítimas, dor e sofrimento a milhares de inocentes. 

A Rede se posiciona ao lado da sociedade civil, em especial dos moradores das comunidades afetadas pelas ações truculentas dos agentes do estado, e cobra alguns esclarecimentos do governador Cláudio Castro: Qual a parcela de responsabilidade do senhor nessas operações? Por que mais perto da eleição se intensificam as incursões e, no entanto, há ainda a presença de fuzis, de facções e de milícias armadas avançando sobre o território do estado? Por que as polícias fluminenses seguem produzindo tiroteios e mortes em comunidades, levando dor e sofrimento para tantas pessoas, se essa estratégia tem se mostrado ineficiente para mudar esse quadro? 

Reiteramos nosso posicionamento de que é possível sim fazer segurança com mais atividade de investigação e inteligência e menos operação, confronto, tiro e morte.

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