Rede de Observatórios de Segurança

Secretário de Segurança está errado: Bahia é um estado letal em números

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event 19 de julho de 2022

O Secretário de Segurança Pública da Bahia, Ricardo Mandarino, lançou o desafio: provar que o estado baiano está entre os maiores índices de violência do país, porque ele não acredita nisso. A declaração do titular da secretaria aconteceu na última sexta-feira (15), mesmo dia em que três disparos tiraram a vida de um jovem de 24 anos, morto por policiais militares na cidade de Santo Antônio. A Rede de Observatórios aceitou o desafio, listou alguns números sobre o estado e mostrou porque essa morte não é um caso isolado. 

Uma câmera de segurança gravou a execução de Daniel da Cruz de Jesus. O vendedor de cosméticos e pai de uma criança de cinco anos foi abordado por uma viatura descaracterizada. As imagens mostram o jovem colocando as mãos na cabeça e em seguida é possível ouvir os disparos.  Essa é mais uma ação da polícia mais letal do Nordeste no estado que também apresenta o maior índice de chacinas da região, de acordo com o monitoramento da Rede de Observatórios da Segurança. Entre os mortos pela polícia na Bahia, 98% são negros – como aponta o nosso relatório Pele Alvo. 

Há três anos, a Bahia figura como a primeira do ranking de mortes violentas, conforme mostra o índice nacional de homicídios criado pelo portal de notícias G1, com base nos dados oficiais das 27 unidades federativas. De 2019 a 2021, o estado registrou aproximadamente 15,5 mil assassinatos, cerca de 4.300 casos a mais que o Rio de Janeiro, apontado pelo secretário como estado mais perigoso que a Bahia, e que no entanto omite dados, ao contrário de sua gestão que preza pela transparência. 

Entretanto, em uma rápida busca no site da Secretaria de Segurança é possível constatar que os dados sobre ocorrências no estado anteriores a abril de 2020 deixaram de constar no histórico de registros que dispunha anteriormente de informações desde 2011. Além disso, em junho de 2022, segundo a pesquisa Onde Mora a Impunidade, do Instituto Sou da Paz, 78% dos casos de homicídios não foram solucionados na Bahia. O que revela que pouco se sabe sobre o resultado das investigações, contrariando a afirmação de Mandarino. 

Também neste ano, de acordo com dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, das 30 cidades com mais mortes violentas do país, cinco são baianas: Aurelino Leal, Jussari, Itaju do Colônia, Wenceslau Guimarães e Santa Cruz Cabrália. Ou seja, cidades do estado da Bahia estão entre as mais perigosas do país. 

“O secretário deveria se desafiar e desafiar toda sua equipe a, de fato, promover políticas que impactem na qualidade de vida dos baianos e das baianas, reduzindo a violência e aumentando a segurança. A fala do Mandarino infelizmente é uma postura recorrente da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, que em vez de apresentar esforços para a contenção de ações violentas e redução dos índices em todo o estado, demonstrado por diversas fontes como a Rede de Observatórios, o Fórum de Segurança Pública e a Iniciativa Negra, prefere contestar as metodologias e se ausentar do debate público. Isso reforça o porquê de estar apenas em décimo sétimo no ranking da qualidade de informações de homicídios no Brasil e mortes violentas”, disse Dudu Ribeiro, coordenador do Observatório da Bahia, em resposta ao secretário. 

Dudu Ribeiro, ressaltou que os esforços deveriam ser para trazer qualidade de vida aos baianos, e não lançar desafios que ignorem as inúmeras fontes que produzem dados sobre segurança pública no estado. Os números mostram que o secretário infelizmente perde esse desafio e que a morte do jovem Daniel é mais uma de uma série de violência no estado.

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