Rede de Observatórios de Segurança

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Tag: Rede Fluminense de Pesquisas

Rede Fluminense de Pesquisas em Violência, Segurança e Direitos Humanos manifesta apoio ao Coronel Íbis

A Rede Fluminense de Pesquisas em Violência, Segurança e Direitos Humanos, uma coalisão de pesquisadores do Rio de Janeiro, lançou hoje uma nota pública de apoio ao coronel Íbis Pereira, oficial da PMERJ que vem sofrendo ataques públicos. Veja abaixo a nota:

Ao longo dos últimos anos, o coronel Ibis Pereira se destacou pela firmeza com que honrou sua condição de oficial da Polícia Militar do Rio de Janeiro e pela capacidade de, na condição de homem público, ouvir os diferentes setores da nossa sociedade. Seu respeito aos cidadãos fluminenses, seu compromisso com os direitos humanos e sua fidelidade aos preceitos institucionais o tornaram um profissional respeitado e uma liderança inconteste, dentro e fora da corporação militar.

É em reconhecimento a essas virtudes que nós, pesquisadores dos processos relacionados à Violência e à Segurança Pública e homens e mulheres comprometidos com o Estado de Direito, manifestamos nosso apoio a este profissional, nesse momento em que sua lisura e honradez são vilipendiadas de maneira caluniosa e irresponsável.

Frente a uma campanha agressiva e injustificável, deixamos de lado eventuais diferenças de pensamento para nos solidarizarmos com o Coronel Ibis Pereira, certos de que este episódio não abalará a solidez da reputação que construiu em décadas de serviço público.

Assinam a nota os seguintes pesquisadores:


  1. Adriane Batista Pires Maia
  2. Ana Paula Miranda
  3. André Rodrigues
  4. Anna Uziel
  5. Arthur Costa
  6. Barbara Musumeci Mourão
  7. Bernardo Ferreira
  8. Carolina Grillo
  9. Cecília Boal
  10. Cecilia Minayo
  11. Clarice Peixoto
  12. Claudia Barcelos
  13. Daniel Cerqueira
  14. Daniel Hirata
  15. Daniel Misse
  16. Dayse Miranda
  17. Doriam Borges
  18. Edinilsa Souza
  19. Eduardo Ribeiro
  20. Fabio Reis Mota
  21. Fatima Cechetto
  22. Flavia Medeiros
  23. Frederico Policarpo
  24. Glaucio Soares
  25. Haydee Caruso
  26. Helena Bomeny
  27. Ignacio Cano
  28. Ilana Strozenberg
  29. Ilzver de Mattos Oliveira
  30. Jacqueline Muniz
  31. Joana Monteiro
  32. Joana Vargas
  33. João Trajano Sento-Se
  34. José Luiz Ratton
  35. José Vicente da Silva
  36. Julita Lemgruber
  37. Kátia Sento-Sé Mello
  38. Klarissa Almeida Silva Platero
  39. Lana Lage da Gama Lima
  40. Lenin Pires
  41. Leonarda Musumeci
  42. Lia de Mattos Rocha
  43. Lucia Eilbaum
  44. Luciane Patrício
  45. Luiz Eduardo Soares
  46. Marcelle Gomes Figueira
  47. Marcelo Burgos
  48. Mauro Osório
  49. Michel Misse
  50. Miriam Abramovay
  51. Miriam Krenzinger
  52. Nalayne Pinto
  53. Pablo Nunes
  54. Patricia Constantino
  55. Paula Poncioni
  56. Paulo Baía
  57. Paulo D’Avila Filho
  58. Pedro Cláudio Cunca Bocayuva
  59. Pedro Heitor Barros Geraldo
  60. Pedro Paulo Bicalho
  61. Renato Dirk
  62. Roberta de Mello Correa
  63. Roberto Kant de Lima
  64. Robson Rodrigues
  65. Rodrigo Araújo Monteiro
  66. Rodrigo G. Azevedo
  67. Rodrigo Pacheco
  68. Rogerio Dultra dos Santos
  69. San Romanelli
  70. Silvia Ramos
  71. Simone Assis
  72. Siro Darlan
  73. Suzana Varejão

Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência se manifesta sobre escalada de violência policial no RJ

Leia abaixo o manifesto da Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos contra a política do governo do Estado e o aumento da violência policial no Rio de Janeiro.

A Rede Fluminense contra a Violência é formada por centros de pesquisa vinculados a universidades como UFRJ, UFF, UERJ, PUC, UCAM e outras instituições de ensino e pesquisa do Rio de Janeiro. Muitos de nós estudam o problema da violência e da segurança pública em nosso estado há mais de vinte anos. É por essa trajetória que manifestamos publicamente nosso repúdio ao direcionamento do governo do estado para a segurança no Rio de Janeiro.


O cenário em que vivemos hoje, apenas nove meses após instalado o governo de Wilson Witzel, envergonha e impõe a mais veemente rejeição por parte daqueles que guardam compromisso com a democracia e com a solidariedade social. Sob o argumento de que combate o crime organizado, o governo do estado encampa o maior volume de mortes produzido pelas forças de segurança num estado brasileiro.


As polícias do Rio de Janeiro mataram oficialmente 1249 pessoas de janeiro a agosto de 2019. Em lugar de prover segurança, o Estado promove terror e morte nas áreas mais pobres das cidades.


As condições a que são levados os policiais não são muito melhores. Instrumentos da lógica da guerra apreciada pelo governador, esses servidores públicos estão expostos a condições brutais e extremamente perigosas de trabalho. Só no ano de 2019, 44 policiais perderam suas vidas, sendo 14 em serviço. As consequências do alto nível de estresse a que estão expostos são difíceis de ser mensuradas, mas nem por isso deixam de ser graves. Também não somos capazes de estimar o estrago psíquico e emocional provocado em populações que vivem sob a perspectiva permanente do confronto armado, mas é certo que ele deixará sua marca na sociedade fluminense por muitos anos.


Todos estamos perdendo. A população radicada nas áreas mais pobres paga com a vida de sua juventude os desmandos a que o atual governador chama de política de segurança. As polícias fazem o trabalho sujo, e seus superiores hierárquicos tratam como perdas naturais e inevitáveis as mortes daqueles que ocupam lugares subalternos na corporação. Simulam reagir a isso produzindo mais mortes entre as camadas populares e distribuindo condecorações e elogios fúnebres. São todos responsáveis. O governador e seus subordinados devem responder legalmente pelo que estão fazendo.


É imperativo que a sociedade e os órgãos públicos competentes se unam para dar um basta nesse processo. Temos recursos de responsabilização e eles devem ser acionados já. As instituições do sistema de justiça podem e devem proteger a população das ações de um executivo estadual que viola a Constituição e os valores democráticos. A sociedade precisa colocar de volta a solidariedade no centro da vida coletiva, dizendo não à naturalização da morte, que está em curso no Rio de Janeiro.


Como Rede Fluminense de Pesquisas colocamos nossos projetos, levantamentos e conhecimento acumulado à disposição do Ministério Público, que tem o dever constitucional de controlar a atividade de polícia no Brasil, bem como à disposição dos sistemas de justiça nacional e internacional, da mídia e principalmente dos ativistas de favelas e periferias, que têm produzido importantes dados e análises, em parceira com as universidades ou em pesquisas independentes.

A Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos é formada por centros de pesquisa vinculados a universidades como UFRJ, UFF, UERJ, PUC, UCAM, FIOCRUZ e a outras instituições de ensino e pesquisa do Rio de Janeiro. Muitos de nós estudam o problema da violência e da segurança pública em nosso estado há mais de vinte anos. É por essa trajetória que manifestamos publicamente nosso repúdio ao direcionamento do governo do estado para a segurança no Rio de Janeiro.


O cenário em que vivemos hoje, apenas nove meses após instalado o governo de Wilson Witzel, envergonha e impõe a mais veemente rejeição por parte daqueles que guardam compromisso com a democracia e com a solidariedade social. Sob o argumento de que combate o crime organizado, o governo do estado encampa o maior volume de mortes produzido pelas forças de segurança num estado brasileiro.


As polícias do Rio de Janeiro mataram oficialmente 1249 pessoas de janeiro a agosto de 2019. Em lugar de prover segurança, o Estado promove terror e morte nas áreas mais pobres das cidades.


As condições a que são levados os policiais não são muito melhores. Instrumentos da lógica da guerra apreciada pelo governador, esses servidores públicos estão expostos a condições brutais e extremamente perigosas de trabalho. Só no ano de 2019, 44 policiais perderam suas vidas, sendo 14 em serviço. As consequências do alto nível de estresse a que estão expostos são difíceis de ser mensuradas, mas nem por isso deixam de ser graves. Também não somos capazes de estimar o estrago psíquico e emocional provocado em populações que vivem sob a perspectiva permanente do confronto armado, mas é certo que ele deixará sua marca na sociedade fluminense por muitos anos.


Todos estamos perdendo. A população radicada nas áreas mais pobres paga com a vida de sua juventude os desmandos a que o atual governador chama de política de segurança. As polícias fazem o trabalho sujo, e seus superiores hierárquicos tratam como perdas naturais e inevitáveis as mortes daqueles que ocupam lugares subalternos na corporação. Simulam reagir a isso produzindo mais mortes entre as camadas populares e distribuindo condecorações e elogios fúnebres. São todos responsáveis. O governador e seus subordinados devem responder legalmente pelo que estão fazendo.


É imperativo que a sociedade e os órgãos públicos competentes se unam para dar um basta nesse processo. Temos recursos de responsabilização e eles devem ser acionados já. As instituições do sistema de justiça podem e devem proteger a população das ações de um executivo estadual que viola a Constituição e os valores democráticos. A sociedade precisa colocar de volta a solidariedade no centro da vida coletiva, dizendo não à naturalização da morte, que está em curso no Rio de Janeiro.


Como Rede Fluminense de Pesquisas colocamos nossos projetos, levantamentos e conhecimento acumulado à disposição do Ministério Público, que tem o dever constitucional de controlar a atividade de polícia no Brasil, bem como à disposição dos sistemas de justiça nacional e internacional, da mídia e principalmente dos ativistas de favelas e periferias, que têm produzido importantes dados e análises, em parceira com as universidades ou em pesquisas independentes.

Rio de Janeiro, 25 de setembro de 2019

Assinam (em ordem alfabética):

Aderson Bussinger -OAB/RJ
Alba Zaluar – UERJ
Ana Paula Miranda – UFF
Avelina Addor – UNIRIO
Bianca Garcia Neri Doutoranda – PPGSD/UFF
Caíque Silva- PPGP/UFRJ
Carolina Grillo – UFF
Claudio Tostes – ALERJ
Cristiane Dameda – UFRJ
Daniel Cerqueira – IPEA
Daniel Hirata – UFF
Daniel Misse – UFF
David Maciel de Mello NetoEdinilsa Ramos – FIOCRUZ/CLAVES
Eduardo Ribeiro
Fatima Cecchetto – FIOCRUZ
Fernando Rabossi – UFRJ
Haydee Caruso – UNB
Hebe Signorini Gonçalves – UFRJ
Jacqueline Muniz – UFF
Joana Vargas – UFRJ
João Trajano Sento Sé – UERJ
Julita Lemgruber – CESeC/UCAM
Katia Sento Sé Mello – UFRJ
Larissa Hecht – UFRJ
Laura Lowenkron – CLAM/IMS/UERJ
Leonarda Musumeci – IE/UFRJ
Luiz Eduardo Soares –
Luciano Cerqueira
Luiz Antônio Machado da Silva – UERJ
Marcelo Burgos – PUC
Maria Cecília de Souza Minayo – FIOCRUZ/CLAVES
Mariana Cavalcanti – ESP/UERJ
Michel Magalhães
Michel Misse – UFRJ
Miriam Abramovay – UERJ
Miriam Krenzinger – UFRJ
Nalayne M Pinto – UFRRJ
Pablo Nunes – CESeC/UCAM
Paula Poncioni – UFRJ
Paulo Baía – UFRJ
Pedro Cláudio Cunca Bocayuva – UFRJ
Renata Neder – ISER
Ricardo Gaspar Muller – UFSC
Rodrigo Andrade
Rodrigo Cerqueira Agueda
San Romanelli Assumpção – UERJ
Silvia Ramos – CESeC/UCAM
Tainá de Paula Kapaz – BR Cidades
Thais Lemos Duarte – UFMG
Tiago Joffily – FND/UFRJ
Vera Frossard – FIOCRUZ

Sede do IFCS

Pesquisadores de segurança e violência formam rede

Pesquisadores de várias instituições do Rio de Janeiro estarão reunidos no dia 1º de julho para criar a Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos. O encontro, aberto, vai reunir especialistas como  Michel Misse, Kant de Lima, Luiz Eduardo Soares, Julita Lemgruber, Jaqueline Muniz, João Trajano e Marcelo Burgos estarão no encontro, às 17h, no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ.

“Este é um campo tradicional e organizado de pesquisa, mas que nunca se articulou entre si. A criação da Rede pode contribuir fortemente para potencializar as energias que já são dedicadas a essa área”, diz a coordenadora da Rede de Observatórios da Segurança, Silvia Ramos.

A Rede também vai reunir pesquisadores de instituições não universitárias. Entre as organizações convidadas, estão representantes do IPEA, ISER, Observatório de Favelas, Redes da Maré, Fogo Cruzado, Instituto Igarapé, Anistia Internacional Brasil, Fórum Grita Baixada, Casa Fluminense, Instituto de Tecnologia e Sociedade, Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), Justiça Global, e Instituto Pereira Passos (IPP). Integrantes de centros de pesquisas de entidades jurídicas, como o Ministério Público do Rio de Janeiro, Defensoria Pública e OAB serão parte da Rede.

No evento, será divulgada uma carta aberta, que chama de “escândalo humanitário”   o número de vítimas de violência letal intencional no país – em 2017,  65.602 pessoas morreram – e o fato de que 75% dos mortos são negros.  “O Brasil é um país cujo Estado protege desigualmente a vida e a integridade física de seus cidadãos”, afirma o documento.

O texto também descreve um cenário de agravamento dos discursos de violência por parte do estado e de ações e reações letais por forças de segurança e grupos criminais. Um contexto que também afeta os que trabalham com o tema. “Esse momento de crescimento da violência verbal produz muita solidão e angústia. A rede também tem o sentido de ser um espaço de vocalização e proteção intelectual de pessoas que estão dedicando suas vidas à pesquisa”, completa Silvia Ramos.

Veja abaixo a íntegra do documento que será apresentado:

REDE FLUMINENSE DE PESQUISAS SOBRE VIOLÊNCIA, SEGURANÇA PÚBLICA E DIREITOS HUMANOS

CARTA ABERTA

Segurança pessoal, ou seja, direito à vida e à integridade física e liberdades civis são, juntamente com a subsistência básica, os direitos humanos mais elementares, sem os quais nenhum outro direito é fruído.

O Atlas da Violência de 2019 mostra que, em 2017, tivemos 65.602 pessoas vítimas de violência letal intencional no Brasil, das quais 75,5% são negros.
Somos um país em que a taxa de mortes é 43,1 por 100 mil habitantes entre cidadãos negros e 16 por 100 mil habitantes entre cidadãos brancos. O escândalo humanitário desses números se aprofunda, se atentamos que esta disparidade é crescente: os negros foram 63,3% dos assassinados em 2007, num crescente que levou aos 75,5% de 2017. A sistematicidade desses assassinatos, seu viés racial e sua escala numérica são próprias de graves violações de direitos humanos e crime contra a humanidade. O Brasil é um país cujo Estado protege desigualmente a vida e a integridade física de seus cidadãos.

Os assassinatos são a ponta do iceberg dessas graves violações: antes dessas mortes e concomitantemente a essas mortes, as vidas são podadas nas liberdades civis elementares, as pessoas alteram suas pequenas rotinas e hábitos pelo medo da violência que as cerca, alteram os caminhos pelas quais se movimentam, os lugares que frequentam, as associações de que participam, a expressão do que pensam, as propriedades que carregam consigo.

Na história da violência e da segurança no estado do Rio de Janeiro, há mais de duas décadas a violência se caracteriza pela presença enraizada de grupos criminais armados – ou facções do tráfico ou milícias – que dominam áreas de bairros e regiões do estado de forma ostensiva. Políticas de segurança baseadas em tiroteios, enfrentamento armado do varejo da venda das drogas nas favelas e periferias da região metropolitana e mais recentemente do interior do estado predominam, se sucedem e fracassam desde o final dos anos 1980. São as práticas de segurança pública – sua ênfase nos confrontos e na violência letal e sua fragilidade em investigação capaz de enfraquecer e desarticular os grupos criminais – que definem as principais características do cenário fluminense.

Pesquisadores e pesquisadoras dos fenômenos da violência, da segurança e dos direitos humanos se dedicam dentro de universidades, em organizações sociais e jurídicas e em organizações locais a produzir conhecimento baseado em evidências científicas e empíricas e a divulgá-lo. Algumas vezes esse(a)s pesquisadore(a)s se tornam vítimas de ameaças à sua integridade física e principalmente moral. Os cenários recentes, tanto na esfera nacional como estadual incluem o agravamento dos discursos de violência por parte de autoridades do estado, acirramento de ações violentas e letais no âmbito estadual e reações violentas por parte de grupos criminosos. No meio deste processo encontram-se populações oprimidas por forças armadas, defensore(a)s de direitos, ativistas e pesquisadore(a)s.

Nesse contexto, hoje, em 1º. de julho de 2019, criamos a Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos.

Rio de Janeiro, 1º. de julho de 2019, Salão Nobre, IFCS/UFRJ